Minha experiência com diabetes gestacional


image

Bem, meu grande problema de gula sempre foi o doce. Minha taxa de glicose sempre foi a taxa que mais se aproximava do limite, isso a vida inteira foi assim.

Quando fiquei grávida de Heitor nem imaginava que existisse Diabetes gestacional até que chegou a hora de fazer o exame e deu que eu estava com pré-diabetes. Tive que fazer uma dieta bem restrita, mas saudável. Consegui controlar as taxas, mas quando Heitor nasceu teve um problema respiratório e precisou ficar 8 intermináveis dias na UTI (piores dias da minha vida, sem a menor dúvida). Ele não ficou entubado nem nada, era mais um processo adaptativo, mas o coração da mãe ficou aos pedaços.

Passando o tempo, fui diminuindo a quantidade de doces que eu comia, cortei refrigerante (que eu já tinha diminuído bastante, já que depois que parei de amamentar, tinha voltando a tomar)… Foi quando eu descobri que estava gravida de novo. Ai já comecei a mudar minha alimentação desde do início. Quando chegou o teste da diabetes gestacional quase nem dormi, fiz o teste e enfim deu tudo certo. Minha glicose estava normal. Agora estou mantendo e fazendo controle em todas as consultas de pré-natal.

Mas o que leva a gestante a ter diabetes gestacional?

A diabete aparece quando o corpo não consegue fabricar a insulina — um hormônio produzido pelo pâncreas — em quantidade suficiente. A insulina controla a quantidade de açúcar disponível no sangue, para ser usado como fonte de energia, e permite que o excesso de açúcar seja armazenado.

Seu corpo precisa produzir insulina extra para atender às necessidades do bebê — principalmente da metade da gravidez em diante. Se seu corpo não conseguir fazer isso, você pode ficar com diabete gestacional. Seu nível de açúcar no sangue também pode subir devido às mudanças hormonais da gravidez, que interferem na ação da insulina.

Qual o principal exame para descobrir a diabetes gestacional?

O problema é detectado por meio de um exame de sangue, feito em torno da 24ª semana, chamado exame da curva glicêmica. Alguns médicos defendem que todas as gestantes devem fazê-lo, outros especialistas acreditam que ele deve ser restrito a aquelas com propensão ao mal. “Se for constatado o diabete, o acompanhamento deve ser mais específico e inclui avaliações periódicas e mais detalhadas, como a curva glicêmica”, explica Alexandre Pupo. Nesse exame, a gestante bebe uma espécie de concentrado de glicose. Em seguida, de hora em hora, colhe-se uma amostra de seu sangue para checar quanto tempo o açúcar demora para desaparecer da corrente sanguínea. O exame de curva glicêmica mede a velocidade com que seu corpo absorve a glicose após a ingestão. O paciente ingere 75g de glicose e é feita a medida das quantidades da substância em seu sangue em jejum, uma hora e duas horas após a ingestão. Os valores de referência são:

  • Em jejum: abaixo de 92mg/dl
  • Após 1h: abaixo de 180mg/dl
  • Após 2 horas: abaixo de 153 mg/dl
  • Qualquer dosagem aleatória de glicêmia maior que 200 mg/dl já é diagnóstico de diabetes.

Quais são os sintomas da diabetes gestacional?

Os sintomas da diabetes gestacional não são muito facilmente percebidos pela gestante porque são alterações comuns da gravidez:

  • Muita fome;
  • Muita sede;
  • Ganho de peso exagerado na mulher ou no bebê;
  • Aumento da vontade de urinar;
  • Cansaço extremo;
  • Inchaço nas pernas e nos pés;
  • Visão turva;
  • Pode haver candidíase frequente ou cistite.

Qual o tratamento?

O tratamento para diabetes gestacional é feito com a dieta sem açúcar adicionado a exercícios físicos moderados. Nos casos mais graves onde a quantidade de açúcar no sangue é muito superior ao esperado deve-se optar pela administração de hipoglicemiantes orais ou insulina a fim de controlar o açúcar do sangue mantendo-o sob índices aceitáveis. Os hiperglicemiantes orais, como a Metformina, não devem ser utilizado na gravidez, mas existem outros que podem ser prescritos pelo médico.

E a dieta?

A dieta para diabetes gestacional é aconselhado comer alimentos com baixo índice glicêmico, como frutas com casca, e diminuir a quantidade de açúcar e carboidratos da alimentação. Assim, a grávida não pode comer doces, frituras, refrigerante, sucos industrializados, manteiga e chocolate, por exemplo.

Algumas mulheres estão mais propensas ao diabete gestacional?

Sim. De acordo com Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, estão mais propensas ao problema as gestantes obesas ou que engordaram em demasia ao longo da gravidez, as portadoras de ovário policístico e aquelas com histórico de diabete na família. Também fazem parte desse grupo mulheres cujo primeiro bebê nasceu muito acima do peso.

 

Existe alguma restrição em relação à amamentação?

Não. “A mãe pode ter um leite com um pouco mais de açúcar. Mas isso não é muito preocupante e não demora a se estabilizar”, diz Alexandre Pupo.

Durante a gestação o bebê corre algum risco?

“Dois terços do açúcar da mãe vão para o bebê. Essa dose extra de glicose sobrecarrega o pâncreas da criança que, então, começa a produzir mais insulina” explica Paulo Nader, presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Para completar, a insulina, além de processar o açúcar do sangue, é um hormônio anabólico, ou seja, ele promove o crescimento de alguns órgãos e tecidos. Dessa forma, níveis elevados dessa substância vão interferir diretamente no desenvolvimento do feto, que pode se tornar um bebê com um tamanho acima da média. Felizmente, a maioria dos casos de diabete gestacional evolui bem.

É verdade que o peso exagerado do recém-nascido nem sempre é um bom sinal?

Sim. Nem todo bebê gordinho e rechonchudo é saudável. Os filhos de mães que tiveram diabete gestacional descontrolado, além da gordura subcutânea em excesso, desenvolvem, por assim dizer, órgãos agigantados, especialmente o fígado e o coração. “Um recém-nascido com um coração hipertrofiado corre o risco de ter problemas de circulação e dificuldades para bombear o sangue”, alerta Paulo Nader.

É preciso ter algum cuidado adicional na hora do parto?

Na verdade, os cuidados se concentram ao longo da gestação, antes, portanto, do nascimento do pequeno. É com esse acompanhamento que a mãe vai garantir a saúde do bebê e dela própria. O certo é que o diabete não vai interferir na escolha entre a cesariana ou o parto normal. Essa decisão depende de fatores alheios ao problema. Mas vale lembrar: o tamanho do bebê é uma variável importante nesse momento, porque se ele for grande demais dificilmente virá ao mundo por meio de parto normal. “A equipe médica deve ser avisada sobre a condição da mãe e a glicemia avaliada. De resto, os procedimentos na hora do parto são semelhantes aos adotados em situações consideradas normais”, explica o ginecologista obstetra Eduardo Slotnik.

Como devem ser os cuidados com o bebê logo após o parto?

O filho de uma mãe diabética recebeu doses elevadas de açúcar durante a gestação. Para equilibrar essa condição, seu pâncreas produziu mais insulina do que o habitual. Assim que ele sai do ambiente uterino, para de ser alimentado com esse grande volume de glicose e pode apresentar um quadro de hipoglicemia. Se isso acontecer, o bebê é medicado para que o açúcar no seu sangue entre em equilíbrio.

É verdade que esse bebê tem maior probabilidade de ter icterícia?

Sim. A icterícia acontece por conta do excesso de bilirrubina, o que dá à criança um aspecto amarelado. Essa substância é um produto do metabolismo da hemoglobina, um dos principais componentes do sangue. O distúrbio é comum em filhos de mulheres cujo diabete gestacional não foi controlado corretamente. “Pelo crescimento exagerado da criança ela acaba precisando de mais sangue e, assim, de mais hemoglobina”, conta Paulo Nader.

O bebê também pode ter mais problemas respiratórios?

Sim. Os problemas respiratórios do bebê são uma consequência do tamanho exagerado da criança ao nascer e do descompasso na adaptação do corpo. A insulina pode colaborar para uma hipertensão pulmonar.

Quais as chances dessa criança ter diabete no futuro?

A mulher que tem diabete antes da gravidez corre mais risco de passar a condição para seus descendentes. “O pâncreas desse bebê foi estimulado durante toda a gestação. E é constatado que com isso ele terá mais facilidade em desenvolver obesidade e diabete mais tarde”, explica Paulo Nader. Esse risco, no entanto, vai depender também de outros fatores, como o estilo de vida sedentário.

Há risco de o diabete gestacional se manifestar novamente em uma mulher que já teve esse quadro?

Sim. Ela correrá seis vezes mais risco de desenvolver o problema novamente porque o pâncreas, que é o responsável pela liberação da insulina, já deu sinais anteriormente de que talvez não consiga lidar com o excesso de açúcar no corpo.

Lembrando que depois do parto a diabetes gestacional some, embora a probabilidade da mãe ter diabetes tipo 2 no futuro é bem grande.

Fontes:

http://brasil.babycenter.com/a700349/diabete-gestacional#ixzz46DGXYWPw

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/diabetes-gestacional

http://www.tuasaude.com/diabetes-gestacional/

http://mdemulher.abril.com.br/saude/bebe/20-questoes-sobre-o-diabete-gestacional

Share on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on LinkedInEmail this to someone

21 ideias sobre “Minha experiência com diabetes gestacional

  1. Mariana

    Oi Ma eu não tive diabete gestacional pois quase não comia doce na gravidrz e sim comida nossa comi não atoa ganhei 28 quilos na gestação, foi bem tranquila a minha gestação, só no final que fiquei com pressão alta.
    Otimo post.

    Mari
    Vamosmamaes.blogspot. com.br

    Responder
  2. Juliana Carreras

    Essas doenças na gravidez deixam a gente sem chão! Adorei suas dicas! Compartilhado com todo carinho para que mais mães também se informem e vejam a necessidade de se cuidar durante a gestação! Parabéns!

    Responder
  3. Claudia Bins

    Nós temos um caso famoso na família. Meu pai nasceu com 6 quilos por minha vó ter desenvolvido diabetes gestacional. Agora imagina isso há 76 anos atrás? Complicado né? É preciso estarmos atentas e fazer o pré-natal bem direitinho, para prevenir. Ótimo post!

    Claudia Bins
    @AsPasseadeiras

    Responder
  4. Luciana Emely Oliveira

    Post bem explicativo. Na minha gestação fiz vários controles em relação ao Diabetes, sendo que em um dos exames deu alterado. Não cheguei a apresentar em si a doença, mas tive que fazer uma dieta mais restritiva e ter mais cuidados. Acredito que as dúvidas que você respondeu são as da maioria das gestantes. Parabéns. Bjos

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *